Turquia quer canal entre os mares Negro e Mediterrâneo
O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou hoje o
que ele chamou de um plano "louco e magnífico" para construir um novo
canal entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo, prometendo que o Estreito
de Bósforo, em Istambul, ficará livre do tráfego de petroleiros e será
usado apenas para esportes aquáticos e viagens turísticas de barco.
Erdogan não deu um custo para o projeto, mas afirmou que ele é viável
e atrairá a iniciativa privada, envolvendo também a construção de um
novo aeroporto para Istambul e de dois bairros residenciais. O estudo
para o projeto levará dois anos, informa o Wall Street Journal.
A nova via marítima, que deverá ser chamada "Canal de Istambul"
ligará o Mar Negro e o Mar de Mármara, que por sua vez leva ao Egeu, em
pleno Mediterrâneo. O canal terá uma extensão de 40 a 45 quilômetros,
profundidade de 25 metros e largura de 150 metros, disse Erdogan, em
discurso durante a campanha eleitoral. A Turquia terá eleições
parlamentares em 12 de junho. O partido de Erdogan, o Justiça e
Desenvolvimento (AK, na sigla em turco), de centro-direita, busca um
terceiro mandato.
O novo canal ficará no lado europeu do Bósforo. Erdogan afirmou que o
Canal de Istambul será comparável aos canais do Panamá e de Suez. Ambos
possuem uma extensão maior: o do Panamá, de 77 quilômetros, e o de
Suez, no Egito, de 80 quilômetros.
O Partido Republicano do Povo (CHP, na sigla em turco), da oposição,
criticou o projeto de Erdogan, ao afirmar que os contratos de construção
enriquecerão apenas os partidários do premiê e as empreiteiras ligadas
ao AK. "Este país não precisa de loucos, mas de pessoas que pensam",
disse Kemal Kilicdaroglu, líder do partido.
O premiê turco afirmou que o canal ficará pronto em 2023, quando a
Turquia celebrar o centenário da proclamação da república. Ele manteve o
suspense durante semanas, após anunciar no começo da campanha eleitoral
que possui um projeto "louco e magnífico" para Istambul. A metrópole de
13,5 milhões de habitantes, a maior cidade da Turquia e do
Mediterrâneo, sofre com os vazamentos de petróleo dos navios no Bósforo,
onde já ocorreram desastres.
O Bósforo, uma passagem marítima natural de 750 metros em seu ponto
mais estreito, divide Istambul em duas partes - uma na Europa e outra na
Ásia. Segundo o governo turco, mais de 50 mil navios passam pelo
estreito por ano, dos quais 8 mil são petroleiros. O governo turco
projetou a construção de um oleoduto no lado europeu para evitar o
perigoso transporte de petróleo pela via marítima, mas teve dificuldade
em persuadir as empresas petrolíferas em se comprometerem a usar a obra.
Elas alegaram que descarregar e carregar novamente o petróleo levaria a
uma perda de tempo que tornaria a rota mais cara, de acordo com
funcionários das empresas.
O controle da Turquia sobre o Bósforo foi limitado na Convenção de
Montreux, em 1936, que garantiu a passagem de navios civis durante
tempos de paz. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.